Hoje saiu este texto no evangelho do lar e achei incrível, pois amanhã terei uma situação delicada na qual o tema gratidão vs ingratidão foi o estopim para gerar o problema. Por este motivo, compartilho este texto, pois na vida nunca sabemos de qual lado estaremos um dia… No lado que AGRADECE ou no lado que RECLAMA e é ingrato.
Texto do livro “Pensamentos que ajudam” José Carlos de Lucca
E se você acordasse amanhã só com o que você agradeceu hoje? ANÔNIMO
Demorei a começar a escrever este capítulo, pensando na pergunta formulada. Creio que você também deva ter sentido o impacto da indagação, e, se você for como eu, chegou à amarga constatação de que amanhã acordaria com bem poucas coisas…
Há pouca gratidão em nossa vida! E encontrei alguns motivos para isso. O primeiro deles diz respeito à maneira pela qual a nossa mente foi programada ao longo da evolução. Pelo instinto da sobrevivência, a mente foi aparelhada para aprender rapidamente com as experiências ruins, mas não tão rapidamente com as boas.⁵⁵ Desse modo, damos mais importância aos problemas que nos ameaçam do que às coisas boas que nos acontecem.
A falta de gratidão é quase uma falta de percepção nossa das inúmeras ocorrências positivas que nos felicitam todos os dias, principalmente daqueles acontecimentos diários que eu chamo de “pequenas felicidades”: o abraço de um filho, a visão de uma árvore florida, voltar para casa depois de um dia estafante, a visita de um amigo, o sorriso de uma criança, a palavra afetuosa de um familiar, ter uma cama para dormir, água para o banho, remédio para dor, música para sonhar, livros para voar e tantas outras pequenas felicidades que passam despercebidas por nós. Incorporar a gratidão como um hábito de vida faria com que sentíssemos o contentamento pelas coisas boas da vida, aumentando, indiscutivelmente, os níveis da nossa felicidade.
O outro motivo pelo qual tendemos à ingratidão está ligado ao nosso egoísmo. Quem explica isso muito bem é o filósofo André Comte-Sponville: “O egoísta pode regozijar-se em receber. Mas seu regozijo é seu bem, que ele guarda só pra si. Ou, se o mostra, é mais para fazer invejosos do que felizes: ele exibe o seu prazer, mas é o prazer dele. Já esqueceu que os outros têm algo a ver com isso. Que importância têm os outros? Por isso o egoísta é ingrato: não porque não goste de receber, mas porque não gosta de reconhecer o que deve a outrem, e a gratidão é esse reconhecimento…”⁵⁶
Nosso comportamento egoísta desconhece que, ao retribuirmos nossa alegria em forma de gratidão, estamos, na verdade, somando alegrias, compartilhando felicidade, aumentando o próprio prazer, o que, inevitavelmente, fará com que a nossa sensação de bem-estar se amplie consideravelmente. Ser mais generoso e menos egocêntrico favorece a prática da gratidão e, por consequência, passamos a ser pessoas mais felizes.
Gratidão e felicidade são como irmãs que jamais se separam. Uma não vive sem a outra e uma engorda a outra. Quando dou atenção ao que corre bem comigo e sou grato por isso, sou invadido por uma sensação de felicidade. Sinto-me abençoado pela vida e, por consequência, a vida me abençoará mais ainda. Foi Jesus quem disse isso: “A todo aquele que tem, será dado mais, e terá em abundância.”⁵⁷ A prática da gratidão nos faz ver o que temos e nos sentirmos felizes por isso, o que gera dois grandes benefícios: a) satisfação emocional pelos aspectos positivos da nossa vida; b) sintonia com a lei espiritual da abundância, abrindo-nos as portas para novas bênçãos, pelo estado de positividade em que a gratidão nos coloca.
A ingratidão, porém, tem o efeito inverso: nos deixa com o ânimo abatido pela sensação de desventura, quando não revoltados com o mundo, gerando infelicidade e uma energia espiritual negativa, que gera mais carências ainda. Novamente, é Jesus quem diz: “Mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado.” O que não tem é o que não enxerga o que tem e muito menos se alegra com o que tem!
Tomara que amanhã a gente acorde com todas essas coisas boas que vamos passar a agradecer a partir de agora!
Notas de rodapé:
- ⁵⁵ Dr. Rick Hanson, neuropsicólogo, em sua obra O Cérebro e a Felicidade, Martins Fontes.
- ⁵⁶ Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, Martins Fontes.
- ⁵⁷ Mateus: 25, 29.