A vida nos traz momentos de decisão sobre como vamos nos sentir e que atitudes iremos tomar diante de um conflito. Estou vivendo exatamente uma destas situações e, naturalmente, a “solução” do conflito envolve dinheiro. Porém, acordei 4h30 com um chamado para escrever e — depois de fazer uma meditação — lembrei de duas histórias que acredito que podem trazer algumas reflexões sobre como podemos chegar em SOLUÇÕES mais humanas.
Você já enfrentou ou está vivendo uma situação de CONFLITO? Tenho aprendido que podemos levar AMOR e PERDÃO para qualquer situação e que se nos deixamos mover pelo MEDO e RAIVA não tomaremos as melhores decisões.
Mas Marcio, você precisa entender o meu lado da história…
Em situações de CONFLITO é claro que cada uma das partes acredita que está CERTA e, infelizmente, criamos um sistema judiciário para que um “JUIZ” decida quem está certo baseado nos argumentos e “provas” dos advogados de defesa e acusação. É uma pena que avançamos tanto em tecnologias de comunicação como smartphones, internet e redes sociais, mas não aprendemos a nos COMUNICAR COMO SERES HUMANOS. Para isso, trago uma imagem que o Rodrigo Kenji (Especialista em CNV — Comunicação Não-Violenta) apresentou em uma palestra no Instituto Rinri de Ética Pura.

A imagem é praticamente auto-explicativa, pois mostra que a tentativa de IMPOR nosso ponto de vista somente leva a discussão.
Resumo dos 4 Passos da CNV
A Comunicação Não-Violenta (CNV) é uma ferramenta prática que transforma a forma como nos expressamos e ouvimos, articulando quatro etapas fundamentais: observar os fatos de forma neutra e sem julgamentos, identificar o sentimento que aquela situação desperta, reconhecer a necessidade humana profunda que não está sendo atendida e, por fim, formular um pedido claro, concreto e realizável.

A CNV em Situações de Conflito
Imagine aplicar essa estrutura no auge de um conflito acalorado, como uma disputa judicial ou familiar: em vez de atacar com acusações e defesas reativas, as partes param para desarmar a briga e expressar o que realmente importa — “quando vejo isso acontecer, me sinto frustrado porque preciso de segurança, então te peço que façamos um acordo”. Ao substituir a lógica de encontrar um “culpado” pela clareza do que cada um precisa para ficar bem, o conflito deixa de ser uma guerra de egos e se torna uma oportunidade de construir pontes reais e soluções duradouras.
Vou contar as duas histórias — uma real e a outra metafórica — que juntas me trouxeram a inspiração para compartilhar com vocês como o AMOR pode superar qualquer conflito. Antes, peço que assista este vídeo que é o primeiro depoimento do documentário Human (resenha no final do post).
A história de dois lobos
Um velho avô Cherokee estava ensinando seu neto sobre a vida.
— Há uma luta acontecendo dentro de mim — disse ele ao garoto. — É uma luta terrível entre dois lobos.
— Um dos lobos é Mau: ele é a raiva, a inveja, o ciúme, a tristeza, o desgosto, a cobiça, a arrogância, a autopiedade, a culpa, o ressentimento, a inferioridade, a mentira, o orgulho falso, a superioridade e o ego.
O velho continuou:
— O outro lobo é Bom: ele é a alegria, a paz, o amor, a esperança, a serenidade, a humildade, a bondade, a benevolência, a empatia, a generosidade, a verdade, a compaixão e a fé. Essa mesma luta está acontecendo dentro de você e dentro de todas as outras pessoas também.
O neto pensou sobre aquilo por um minuto e depois perguntou ao avô:
— Qual lobo vai vencer?
O velho avô simplesmente respondeu:
— Aquele que você alimentar.
A história de Agnes Furey e Leonard Scovens
Em 1998, na Flórida, Leonard Scovens tirou a vida de Patricia e de seu filho Christopher, de apenas 6 anos — filha e neto de Agnes Furey.
Devastada pela tragédia, Agnes recusou-se a ser consumida pelo ódio. Anos depois, ela tomou a decisão extraordinária de escrever para Leonard na prisão. O que começou como uma troca de cartas em busca de respostas transformou-se em um profundo processo de Justiça Restaurativa: Leonard expressou um arrependimento genuíno, e Agnes concedeu-lhe o perdão, construindo entre os dois um laço de compaixão e afeto.
Juntos, eles coescreveram o livro Wildflowers in the Median, eternizando essa jornada de cura que superou a dor para ensinar ao mundo o poder da empatia e do amor incondicional.

Qual lobo você DECIDE SER?
Esta incrível história mostra que TODOS PODEMOS MUDAR quando existe AMOR GENUÍNO. Os lobos são apenas representações das nossas SOMBRAS E LUZ que existem dentro de nós.
A lição que AGNES nos traz é que podemos RECONHECER A LUZ no outro e, com isso, dar a OPORTUNIDADE da outra pessoa parar de alimentar o LOBO MAU e deixar o LOBO BOM se manifestar.
🎬 Documentário Human (2015)
O documentário Human (2015), dirigido pelo aclamado fotógrafo e cineasta francês Yann Arthus-Bertrand, é uma das obras audiovisuais mais ambiciosas e comoventes do século XXI sobre a condição humana.
Abaixo, apresento uma resenha detalhada sobre a obra.
A Premissa: O Espelho da Humanidade
Fruto de três anos de trabalho, Human coletou mais de 2.000 entrevistas em 60 países. A proposta do documentário é desarmantemente simples, mas de um impacto devastador: colocar pessoas comuns — de camponeses a ex-presidentes, de prisioneiros no corredor da morte a refugiados — diante da câmera para responder a perguntas fundamentais sobre a vida.
Paralelamente a esses depoimentos intimistas, o filme exibe impressionantes imagens aéreas do planeta Terra, marca registrada de Arthus-Bertrand. O contraste entre a imensidão dos cenários naturais e a pequenez da escala humana cria um ritmo hipnótico e contemplativo.
A Estética: Fundo Preto e Alturas Infinitas
A estrutura de Human baseia-se na alternância entre dois recursos visuais opostos:
- Os Close-ups Íntimos: As entrevistas são gravadas contra um fundo preto neutro. Não há cenários, roupas extravagantes ou adereços que distraiam o espectador. Vemos apenas o rosto, os olhos, os sorrisos e as lágrimas dos entrevistados. Essa escolha elimina julgamentos geográficos ou sociais, nivelando a todos na mesma categoria: humanos.
- As Paisagens Aéreas: Entre os blocos temáticos, a câmera flutua sobre plantações, desertos, oceanos, guerras e metrópoles. São composições visuais de beleza ímpar que mostram como a humanidade molda — e por vezes destrói — o planeta.
A trilha sonora, composta por Armand Amar, atua como o elo emocional definitivo, misturando vozes e instrumentos de diversas culturas para amplificar o sentimento de universalidade.
Os Temas: O Mosaico das Emoções
O documentário não possui uma narração condutora (voice-over). Quem conta a história são as próprias pessoas, divididas em grandes temas universais:
- Amor e Relacionamentos: Histórias sobre o primeiro amor, o perdão, a solidão e a busca por conexão.
- Dor e Luto: Depoimentos fortes sobre a perda de filhos na guerra, a extrema pobreza e o sofrimento.
- Ódio e Perdão: Um dos momentos mais marcantes do filme coloca lado a lado a perspectiva de um pai israelense e um pai palestino, ambos unidos pela dor inestimável de terem perdido suas filhas no conflito.
- Trabalho e Sobrevivência: A rotina exaustiva de quem trabalha duro para garantir o pão diário e a desigualdade socioeconômica global.
“Às vezes, a felicidade é apenas uma pausa na dor.” — Reflexão trazida por um dos muitos relatos marcantes da obra.
Veredito
Human não é apenas um documentário; é uma experiência sensorial e de autoconhecimento. Ele nos confronta com o melhor e o pior da nossa espécie, provocando uma reflexão profunda sobre o que realmente importa na vida. É uma obra indispensável para quem busca entender o mundo através do olhar do outro.
- Cotação: ★★★★★ (5/5)
- Recomendado para: Amantes da fotografia, estudantes de sociologia/psicologia e qualquer pessoa em busca de uma experiência cinematográfica profunda e tocante.