Uma reflexão sobre gentileza, propósito, liderança e o poder de transformar uma simples folha de papel em um gesto de acolhimento.
Por Marcio Okabe | Fundador do Origami.club
Você já imaginou que uma simples folha de papel pode representar uma das formas mais bonitas de hospitalidade?
Tive a honra de participar do lançamento do livro “Chieko Aoki – A Dama da Hospitalidade Brasileira”, escrito por Sumico Vakahara, e fiquei especialmente encantado com as primeiras páginas.

O que mais me chamou a atenção foi perceber que a história de Chieko começa abordando temas que fazem parte da minha própria jornada: Ikigai, filosofia japonesa, origami, tsurus, autoconhecimento e até vendas!
São assuntos que, aparentemente, pertencem a universos diferentes, mas que se encontram em um princípio muito simples: cuidar das pessoas é uma das formas mais nobres de encontrar propósito na vida.
O poema Tanka e a sabedoria de um coração sem pontas
Logo no início, o livro apresenta um poema tradicional japonês que inspirou a filosofia de hospitalidade de Chieko e da Blue Tree.
São cinco ensinamentos profundos:
- Ki wa nagaku — Tenha paciência longa. Cultive a serenidade e a capacidade de compreender o tempo das pessoas.
- Kokoro wa maruku — Tenha o coração redondo, sem pontas. Acolha sem ferir, julgar ou criar barreiras.
- Hara tatazu — Não deixe a raiva subir. Desenvolva equilíbrio emocional diante das dificuldades.
- Hito wa ookiku — Veja as pessoas como grandes. Reconheça o valor de cada ser humano.
- Onore wa chiisaku — Mantenha o ego pequeno. Pratique a humildade e coloque o outro em primeiro lugar.
É uma filosofia de liderança que valoriza a grandeza da alma e a humildade nas relações humanas.
Ao ler esses ensinamentos, pensei imediatamente no origami.
Quando dobramos uma folha de papel, precisamos ter paciência. Quando ensinamos alguém a dobrar, precisamos respeitar seu ritmo. Quando presenteamos alguém com um origami, estamos dizendo, sem palavras: dediquei um pouco do meu tempo para você.
E talvez essa seja uma das expressões mais genuínas da hospitalidade.
Ikigai: encontrar propósito em servir
Outro tema que aparece logo no início do livro é o Ikigai, conceito japonês relacionado à razão de viver.
A trajetória de Chieko mostra que o propósito não precisa estar ligado apenas a grandes realizações profissionais. Ele pode se manifestar nas pequenas atitudes cotidianas.
Na Blue Tree, a evolução do conceito de Bem-Receber e Bem-Servir para o Bem-Cuidar representa justamente essa transformação: a hospitalidade deixa de ser apenas um serviço e passa a ser uma conexão humana.
O livro também apresenta o conceito de Kokorozashi, uma determinação elevada e comprometida com o bem comum.
Vejo uma conexão profunda entre esses conceitos e o trabalho que realizamos no Origami.club.
Nosso propósito não é simplesmente ensinar pessoas a fazer dobraduras. É utilizar o origami para despertar criatividade, criar conexões, promover bem-estar e levar felicidade às pessoas.
O origami é o meio. O cuidado com as pessoas é o propósito.
O tsuru: uma pequena dobra, uma grande mensagem
Um dos trechos que mais me emocionaram conta a história da revoada de aproximadamente quatro mil tsurus no Blue Tree Premium Faria Lima, criada com a participação de colaboradores, familiares, hóspedes e visitantes.
O tsuru, tradicional grou japonês, é um símbolo de longevidade, esperança, harmonia e paz.
O livro destaca cinco significados associados a ele: longevidade e saúde, harmonia e lealdade, boas notícias, elegância e pureza, e paz.
Mas existe algo ainda mais bonito nessa história.
A revoada não nasceu apenas como um projeto de decoração. Ela surgiu da participação coletiva de pessoas que dedicaram tempo e carinho para construir algo juntas.
É exatamente isso que buscamos nas vivências do Origami.club.
Quando várias pessoas dobram tsurus para criar uma obra coletiva, cada dobradura carrega uma história, uma intenção e um gesto de colaboração.
O resultado é muito maior do que a soma das peças de papel.
Uma revoada de tsurus é também uma revoada de intenções, sonhos e sentimentos.
Origami.club e Blue Tree: uma conexão que já existe
Essa identificação com a filosofia de Chieko tem um significado especial para mim porque o Origami.club já realizou ações com origami em unidades da Blue Tree, como o Blue Tree Verbo Divino e o Blue Tree Premium Alphaville.
Essas experiências mostram como o origami pode fazer parte da hospitalidade de maneira natural, criativa e memorável.
Imagine um hóspede chegando ao hotel e recebendo um pequeno tsuru acompanhado de uma mensagem de boas-vindas.
Ou uma família participando de uma oficina de origami e levando para casa não apenas uma lembrança, mas uma história para contar.
Ou ainda colaboradores participando de uma vivência coletiva, aprendendo sobre paciência, cooperação e gentileza enquanto criam juntos uma instalação artística.
O origami transforma um gesto simples em uma experiência afetiva.
E há algo especial nessa troca: quem oferece um origami sente a alegria de presentear, e quem recebe percebe que alguém dedicou atenção e carinho àquele gesto.
É a gentileza acontecendo nos dois sentidos.
Somos todos vendedores — e também cuidadores
Outro trecho que achei especialmente interessante é quando Chieko explica a Sumico que todos são vendedores, inclusive o jardineiro que cuida das plantas.
É uma visão extraordinária de vendas!
Vender não significa apenas convencer alguém a comprar um produto ou serviço. Significa criar confiança, cultivar relacionamentos e contribuir para que as pessoas tenham boas experiências.
Um jardineiro que cuida bem do jardim está ajudando a construir a percepção de hospitalidade do hotel.
Uma recepcionista que acolhe com gentileza está criando valor.
Um colaborador que oferece um origami com carinho está proporcionando uma experiência que pode permanecer na memória do hóspede por muitos anos.
No fundo, todos nós participamos da construção da experiência que oferecemos ao mundo.
Essa visão também se conecta ao empreendedorismo consciente: antes de pensar apenas em vender mais, precisamos compreender como podemos servir melhor.
O origami como expressão da verdadeira hospitalidade
A hospitalidade costuma ser associada a conforto, atendimento, alimentação e infraestrutura.
Mas acredito que sua essência está em algo muito mais profundo: fazer o outro sentir que é bem-vindo, importante e lembrado.
E poucas atividades conseguem representar isso de maneira tão simples quanto o origami.
Uma folha de papel é acessível. Uma dobradura pode ser feita em poucos minutos. Um presente de origami não precisa ter grande valor financeiro.
Mas pode carregar um enorme valor emocional.
O origami também tem uma característica especial: ele convida as pessoas a desacelerar, prestar atenção e estar presentes.
Em um mundo cada vez mais acelerado e digital, oferecer atenção verdadeira talvez seja um dos maiores luxos da hospitalidade.
Uma nova dobra na história da hospitalidade
Ao conhecer melhor a filosofia de Chieko Aoki, percebo o quanto a Blue Tree e o Origami.club compartilham valores semelhantes.
A paciência, a humildade, o respeito, o cuidado e a valorização das relações humanas estão presentes tanto nos ensinamentos japoneses apresentados no livro quanto nas experiências que buscamos proporcionar por meio do origami.
Fico feliz por já termos realizado ações na Blue Tree e espero que possamos criar muitas outras oportunidades para levar essa arte a colaboradores, hóspedes e famílias.
Imagino hotéis onde o origami faça parte dos rituais de boas-vindas, das experiências de integração, das celebrações e até dos programas de bem-estar.
Porque hospitalidade não é apenas receber bem.
É fazer com que as pessoas saiam melhores, mais felizes e mais conectadas do que quando chegaram.
E, às vezes, tudo começa com uma simples folha de papel.
Uma dobra pode criar uma figura. Um gesto de gentileza pode criar uma memória. E muitas pessoas dobrando juntas podem transformar uma comunidade.
Origami.club — Uma nova dobra na história.
Músicas japonesas que traduzem a essência da Blue Tree
Pensando no livro Chieko Aoki – A Dama da Hospitalidade Brasileira, selecionei músicas japonesas que transmitem gentileza, gratidão, acolhimento, paz, propósito de vida (Ikigai) e conexão humana.
Procurei canções que não apenas emocionam, mas também dialogam com os cinco ensinamentos do poema Tanka e com a filosofia do Bem-Receber, Bem-Servir e Bem-Cuidar.
1. Inochi no Uta (いのちの歌) — Mariya Takeuchi
Canção da Vida · Gratidão, Ikigai e encontros humanos
A letra celebra a vida, os encontros e a gratidão por quem nos acompanha. É a música que mais se aproxima do Bem-Cuidar e da trajetória de Chieko.
2. Ito (糸) — Miyuki Nakajima
Fio · Conexão, colaboração e acolhimento
Usa os fios de um tecido como metáfora dos encontros humanos: pessoas que se encontram podem construir algo capaz de aquecer e cuidar de outras. Lembra os milhares de tsurus dobrados coletivamente na Blue Tree.
3. Hana wa Saku (花は咲く) — Projeto NHK
Flores Vão Florescer · Esperança, paz e solidariedade
Criada após o terremoto e tsunami de 2011, transmite esperança e reconstrução. Conversa com o tsuru como símbolo de paz e com a ideia de cultivar um mundo melhor por meio de pequenos gestos.
4. Sekai ni Hitotsu Dake no Hana (世界に一つだけの花) — SMAP
Uma Única Flor no Mundo · Respeito, diversidade e humildade
Valoriza a singularidade de cada pessoa, em vez da competição para ser o número um. Combina com o Tanka: ver as pessoas como grandes e manter o ego pequeno. No vídeo, a canção é interpretada por Noriyuki Makihara, seu compositor.
5. Sen no Kaze ni Natte (千の風になって) — Masafumi Akikawa
Transformar-se em Mil Ventos · Legado, memória e continuidade
Uma canção contemplativa sobre a permanência simbólica de quem partiu. Acompanha bem uma reflexão sobre o legado que deixamos nas pessoas, com um tom mais solene.
Quer levar o origami para os rituais de boas-vindas, a integração de colaboradores ou os programas de bem-estar da sua empresa ou hotel? Conheça as vivências do Origami.club em teambuildingorigami.com.