Compromisso, jeitinho brasileiro e Facebook

Fiz um post no Facebook que gerou o maior debate. Decidi transformar em um post, pois ficou muito claro que é uma questão que incomoda muitas pessoas. Porém, precisamos enxergar além dos sinais visíveis. Primeiro leiam o post (para acessar no Facebook, clique aqui)

“Gostaria de comentar um mal-hábito que temos aqui no Brasil. No caso do Laboriosa 89 acho que as pessoas deveriam ficar mais atentas à sua participação nos evento. No evento da Sara Parkin sobre o “Divergente Positivo” tinham 63 confirmados e vieram menos de 20. 
Sobrou MUITA comida e o pessoal havia até alugado mais cadeiras.

A Oficina de Prezi que estava marcada para 14h às 16h30 não apareceu ninguém. 
Minha proposta é:

SIM = VIREI AO EVENTO. Chova ou faça Sol.
TALVEZ = Não tenho certeza. Caso eu vá, eu clicarei em SIM
NÃO = Não posso ir ao evento. Puxa, mas é tão legal…. Coloca TALVEZ

COLABORAR = TER COMPROMISSO ‪#‎ProntoFalei‬

Achei os comentário tão legais que salvei em PDF – Cursos no Facebook – LABORIOSA 89

Vou destacar alguns:

Débora Castro Farias de Santana Entendemos que imprevistos acontecem…mas de fato o não comparecimento gera um desperdício que não se mensura apenas em valores.
Conrado De Biasi É um bom ponto. Não sei se é necessariamente mal hábito. Na India por exemplo, like é igual a “vi”e não necessariamente curtir. Me parece que tem um entendimento errado do sim e vira sinônimo de curtir o evento.
Rosa Alegria Assino embaixo, Marcio Hiroshi Okabe Há 10 anos vivemos essa realidade com os Encontros com o Futuro, sempre surpreendidos: as vezes bem menos pessoas do que temos na lista de confirmações, as vezes mais pessoas…. isso acarreta um desgaste emocional dispensável e possível se todos realmente valorizarem seus compromissos e os eventos a que se propõem a participar. Amanhã, por exemplo, temos na PUC o Encontro com o Futuro com a própria Sarah Parkin, temos 40 pessoas confirmadas, mas só Deus sabe quem virá.
Diego Rossini Vieira Se existir um valor mínimo de inscrição, pode ter certeza que quem confirmar realmente está interessado em ir e estará engajado. Nunca organize/compre comida baseado em eventos do FB
Patricia C. Vignoli Mas Rosa e Diego, estamos por aqui para romper esses padrões. No começo é esquisito. Não vamos esmorecer. Dia 09 tenho palestra gratuita MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS para explicar a dinâmica do grupo de estudos que vou iniciar aí no LAB. Vibrando positivo e mandando ver na divulgação.
Gui Neves Marcio e pessoal, participando e organizando encontros nos últimos anos, tenho percebido cada vez mais que engajamento virtual e engajamento real são coisas muito diferentes. No caso dos Eventos do Facebook, minha opinião é que é uma ótima forma de divulgação, mas uma péssima forma de inscrição e confirmação de presença em encontros. Basta um clique para confirmar sua participação em um encontro. Independente se ele é pago ou não. Isso gera um grande desconforto pros organizadores que precisam de segurança para as questões financeiras e logísticas na produção de encontros. Minha sugestão, e jabá, para os organizadores de encontros que não querem tomar preju, é utilizar plataformas como o Nós.vc e o Cinese. Quem estiver precisando de ajuda para organizar encontros na Lab89 e em outros espaços, procurem a Anna, a Camila, a Giovana, o Daniel, o Leo, ou falem comigo. #juntospeloencontro

Não entrarei no mérito de concordar ou discordar, pois a opinião de cada um apenas cria um quadro geral para todos refletirmos. Farei algumas reflexões que vão muito além da questão do post, mas gravarei um podcast que é a forma mais legal para passar meus sentimentos. Antes colocarei o conceito de COMPROMISSO.

A palavra compromisso deriva do termo latim compromissum e refere-se a uma obrigação contraída ou à palavra que se honra. Fonte: Conceito.de

E a foto do evento com a Sara Parkin – autora do livro “O Divergente Positivo” – que tive o prazer de conhecer pessoalmente.

“Divergente positivo: Pessoa que faz as coisas certas em prol da sustentabilidade, a despeito de estar rodeado por estrutura institucionais erradas, processo equivocados e pessoas teimosamente não cooperativas.
Perverso: Pessoa que persiste no erro, teimosa, que ignora as evidências, que se desvia do certo e do verdadeiro. ”
Fonte: Livros “O Divergente Positivo”

Vamos às reflexões…

  • Cursos e eventos são oportunidades de ENCONTROS e CONEXÕES – O conteúdo em si, pode ser gravado e visto depois, mas CONHECER pessoas em um determinado contexto é uma chance ÚNICA.
  • Quando você se “compromete” com alguém falando “pode deixar que eu resolvo”, “legal, vou compartilhar com amigos”, “que evento legal, vou sim”… Independente de falar SIM no Facebook ou presencialmente, você falou por educação, para te acharem um pessoa legal ou você se COMPROMETEU EM AJUDAR?
  • O Laboriosa 89 é um projeto colaborativo, porém tem REGRAS. O que impede colocar uma REGRA no calendário de eventos e propor que coloque SIM apenas quem vem?
  • Orgulho do organizador (eu também estou dentro desta reflexão) – Por que cada um criar o SEU EVENTO? Por que não se UNIR com alguém com conteúdo similar e UNIR FORÇAS? Escrevi um post sobre o livro “Orgulho – Que bicho ainda existe em você?
  • Você ajuda DE VERDADE a promover os outros cursos? – Achei o evento “Como dar uma palestra nível TEDx” muito legal. Troquei mensagens com a Karina Miotto, mas não deu tempo de pensar algo juntos. Não sei como foi o evento, mas divulguei na minha rede de contatos. Ofereci o meu curso online de Prezi – http://www.apresentacoesmagicas.com.br – para divulgar para os alunos no esquema “pague quanto acha que vale”. A pergunta é: Será que alguém falou da Oficina de Prezi no dia do evento?

Tem uma frase que li em um livro e achei neste post que é muito bom para cada um colocar a mão na consciência.

“Semana passada, Gilberto Dimenstein fez uma afirmação no mínimo curiosa que demonstra esse estado de coisas: “O Brasil é uma nação de espertos que, juntos, formam uma multidão de idiotas” (http://www.acertodecontas.blog.br/). Concordo integralmente com o sentido da frase, embora inverteria os termos por pura precisão terminológica: trata-se de uma multidão de espertos formando uma nação de idiotas. Vejam se não tenho alguma razão: o brasileiro em geral é o cara que ultrapassa pelo acostamento quando enfrenta um engarrafamento na estrada (claro, ele é esperto e os que respeitam a fila são “otários”); é a mulher que entra na fila preferencial do supermercado (gestantes, idosos, deficientes físicos, mulheres com crianças de colo), mesmo com seu filho tendo ultrapassado os seis anos (claro, ela não vai ser “otária” de enfrentar uma fila enorme com carrinhos cheios); é o político que desvia verbas públicas para fazer caixa dois e enriquecer (claro, ele é esperto e vai aproveitar a “boquinha do poder” para se dar bem); é o juiz ou o deputado que utiliza o carro oficial para levar seus pertences à casa de praia no fim de semana (lógico, ele vai bem ser “otário” de gastar seu subsídio com gasolina e carro próprios, se tem à disposição carro e combustível financiado com os impostos da população). ” Fonte: Direito e Cultura – http://direitoecultura.blogspot.com.br/2007/10/antikantismo-brasileira-brasil-como-uma.html

Lembro que na Unicamp eu era um dos ÚNICOS que não furava fila no bandejão. Quando chegavam meus amigos para furar fila, eu – educamente – me dirigia para o final da fila e explicava que não achava certo furar a fila. Eu perguntava:

“E as pessoas que não tem muitos amigos? Ficam sempre para trás?”

Acho que eu já era meu divergente ;-). Confesso que parei de furar fila depois de tomar uma bronca de uma funcionária que estava na fila e, quando eu e vários amigos estávamos furando a fila, ela me reclamou justamente comigo. Porém, sou grato a ela que me fez ver como eu estava errado.

A pergunta para refletirmos:

Em quais situações você é divergente positivo e quais você é perverso?

Não adianta fugirmos da realidade e acharmos que somos “divergentes positivos” só porque achamos legal o conceito. Fica a reflexão e um pouco de desabafo.

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